Maria Madalena

  • Posted by Fernando 30 dez
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Maria Madalena

 

Maria Madalena estava profundamente triste. Só sabia chorar. Quando não chorava, ficava parada, com olhar perdido, e pensava: “Esse sábado não passa nunca. Cada minuto parece-me uma eternidade. Minha alma não tem mais onde se angustiar. Quero muito visitar o túmulo do meu Senhor. Só me resta ver o seu corpo, dilacerado naquela rude cruz, depositado naquela sepultura fria. Ele transformou a minha vida com suas palavras de amor. Porque o mataram? Foi tão injusto!”.
A noite chegou. Maria Madalena foi deitar-se. A roupa que usaria na manhã de domingo já estava separada. Não queria perder tempo. Desejava visitar o túmulo de Jesus nas primeiras horas da manhã.
Aquela noite foi longa. Quase não dormiu.
Ainda estava escuro quando Maria Madalena decidiu ir andando até o túmulo de Jesus. A ansiedade era grande.
Quando chegou, a claridade do sol começava a delinear as montanhas no horizonte. Podia-se ouvir o canto dos pássaros, comemorando aquela gloriosa manhã que traria a maior de todas as alegrias da história da humanidade.
Maria Madalena passou pelo jardineiro que já varria a entrada que dava para os sepulcros, e cumprimentou-o com um rápido bom dia.
Há alguns metros do túmulo pôde ver algo estranho. A pedra que o lacrava havia sido removida.
Maria Madalena aproximou-se e olhou rapidamente dentro do túmulo. O coração disparou. Ela ficou paralisada, com a mão no coração, e balbuciou: “Quem teria feito isso? Já não bastava matá-lo, tirá-lo de mim, tinham também que sumir com seu corpo?”. Seu sentimento era de indignação.
Maria Madalena voltou correndo. Precisava pedir ajuda aos discípulos de Jesus. Então foi até à casa de Pedro, e ainda fora da casa, falou aos gritos.
– Pedro, Pedro, roubaram o corpo de Jesus.
– O quê? – Perguntou Pedro enquanto abria a janela que dava para a rua, sem entender o que Maria dizia.
– Estou voltando do túmulo. A pedra foi tirada. Só estão lá os panos que cobriam Jesus. Seu corpo não está lá. Não sei onde o puseram.
Pedro estava com João, e ambos saíram correndo juntos. João correu mais rápido e chegou ao túmulo primeiro. Ele abaixou-se para olhar dentro do túmulo e viu os lençóis de linho, mas não viu o corpo de Jesus.
Pedro chegou logo depois. Ele também viu os lençóis colocados ali e a faixa que tinha posto em volta da cabeça de Jesus. A faixa não estava junto com os lençóis, mas estava enrolada ao lado.
Eles não disseram nada. Simplesmente se entreolharam, sem entender o que havia acontecido. Aquilo precisava ser investigado.
Pedro e João voltaram para casa. Maria, que havia voltado ao túmulo, ficou parada ali, na entrada, chorando com as mãos no rosto.
Enquanto chorava, ela se abaixou, olhou para dentro do sepulcro e viu algo estranho. Dois homens vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus. Um estava na cabeceira, e o outro, nos pés. Suas vestes resplandeciam, pareciam anjos do Senhor.
Um deles perguntou-lhe:
– Mulher, porque você está chorando?
Sua voz era diferente. Era suave e profunda.
Maria Madalena respondeu entre soluços, se esforçando para não chorar enquanto falava.
– Levaram embora o meu Senhor, e eu não sei onde o puseram.
Os anjos silenciaram-se e olharam espantados para alguém que se aproximava por trás de Maria.
Maria Madalena olhou rapidamente para trás, por sobre os ombros, e viu que um homem se aproximava.
O que queria o jardineiro? Teria ele alguma notícia sobre o corpo de Jesus? Alguma descoberta? Ou teria sido ele mesmo quem o tirara dali e veio para confessar?
O homem repetiu a pergunta dos anjos. Parecia até que os tinha ouvido.
– Mulher, porque você está chorando?
Ainda sem se virar totalmente e olhando para o chão, fechou o semblante e disse com voz firme:
– Se o senhor o tirou daqui, diga onde o colocou, e eu irei buscá-lo.
– Maria.
Aquele jeito de chamar seu nome era-lhe familiar. Aquela voz era penetrante, envolvente!
Maria virou-se lentamente e, levantando a cabeça, disse em um misto de surpresa e alegria:
– Rabôni!*

* Rabôni significa mestre.

Gilbert Salazar
Pastor e membro da Igreja Batista em Aarão Reis
Coordenador do ministério de células Casado com Cecília, e são pais de Luisa e de Juliana.

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